RIO GRANDE PHOTOFLUXO 2012

Rio GrandePHOTOFLUXO 2012

3º Festival Fotográfico de Inverno ArtEstação

FESTIVAL FOTOGRÁFICO DE INVERNO

 

O Ponto de Cultura Artestação realiza em 2012 a terceira edição do Festival Fotográfico de Inverno que tem o objetivo de difundir a produção fotográfica do sul do estado e fomentar o intercâmbio e o debate sobre a fotografia no contexto da arte contemporânea, privilegiando a diversidade e pluralidade dessa produção.

O evento que conta com o apoio da FURG – Universidade do Rio Grande, pretende também aproximar e compartilhar a produção e a reflexão que acontece no ambiente acadêmico com a comunidade de Rio Grande.

O tema escolhido para essa edição  de 2012 são os Fluxos e Nomadismos, e a tônica das atividades a serem desenvolvidas durante cerca de dois meses, será a arte no espaço público:  a fotografia sendo exibida nas ruas, com as ações e intervenções de artistas ecoando no cotidiano da cidade.

FLUXOS E NOMADISMOS – De um lugar a outro sem ponto fixo

A contemporaneidade é o lugar dos trânsitos, das transformações, do fluxo incessante de informações, imagens e corpos. O mundo em geral e  a cultura digital em particular estão marcados pela diferença e diversidade de modos de viver e fazer; pela coexistência de tempos e espaços (que se cruzam – tempos lentos e rápidos, espaços fixos e nômades, territórios lisos e estriados); pelas identidades móveis: subjetividades que se forjam e se constroem sob o signo do nômade. Seja no deserto, nas águas (ou mares) ainda não navegadas, ou na cidade contemporânea, homens ( o andarilho, o marinheiro…)  caminham de um lugar a outro, sem ponto fixo, sem ancoragem. Vivem (e navegam) sem a luz de um farol como guia, sem enxergar as estrelas no céu, sem o uso de um gps.

A arte está em todos os lugares. O artista não é mais aquele que possui o dom (ou o privilégio) da criação –  não é o demiurgo, o dono da verdade, o intercessor de um mundo mágico ou o portador do sonho e da imaginação (qualquer um pode ser fotógrafo ou artista). A fotografia, ao contrário do que pensava Baudelaire, não é objetiva (é no máximo em 50%…) – nem pertence ao campo da ciência (exclusivamente). A navalha de Buñuel cortou o olho (anunciando uma cisão na história da arte e da imagem – visual): a imagem é corpo (corpo sem órgãos?). A arte tirou os sapatos (saiu da confortável sala dos museus, deixou o espaço neutro das galerias): foi pra rua e vestiu o parangolé – é experiência.

O cinema é experiência e é luz. A fotografia é luz. Imanência. Como pensar a arte hoje fechada em seus cubos ou em uma redoma (de vidro?) quando a vida pulsa do lado de fora – nas paradas de ônibus, nos muros, nas ruas e becos das cidades, nas praças, nos celulares, nos tablets, nos computadores… Depois da crise sem volta do marxismo ( do leninismo, do stalinismo…), não há porque falar em coletivos sem nome (as massas, o público…). As pessoas são feitas de pequenas idiossincrasias, individualidades, afetos e subjetividades. Não são mais entidades, grupos anônimos, que precisam de um porta voz (a vanguarda – política ou artística). A arte ACONTECE no mundo (não é sonho, não é imaginação). O cinema PRODUZ realidades (não representa) – assim como a fotografia. A imagem é luz e a luz é a imanência do mundo (nós não iluminamos o mundo, nossa consciência é parte desse mundo e o nosso eu apenas uma tela, o ecrã onde a imagem-luz se reflete e se dá a ver). A imagem é luz e é matéria (não é o duplo do mundo – é o mundo!). A luz é vibração.

Arte, fotografia, cinema partilham com a contemporaneidade a situação de fluxo: do imaterial para o material, do objetivo para o subjetivo. Fluxos disjuntivos. Impermanência.

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