Conexões 19 agosto – Teresa Lenzi

No dia 19 de agosto, considerado por muitos o dia oficial da Fotografia, o Photofluxo 2012 realiza às 19hs a primeira sessão do CONEXÕES, atividade que vai ocorrer até o dia 02 de setembro, em que os artistas convidados para participar do Festival, irão participar de uma conversa com o público. Teresa Lenzi é professora do Curso de Artes Visuias da FURG, pesquisadora no campo da Fotografia e foi convidada para realizar uma intervenção a partir do dia 25 e coordenar a instalação da Câmara Clara nas proximidades do ArtEstação.

A conversa ocorre hoje com a Mediação de Célia Pereira, coordenadora do Festival.

 

 

SOBRE A INSTALAÇÃO DA CÂMARA CLARA

 

À luz da câmara escura

Teresa Lenzi

Consentem as diferentes histórias que Aristóteles já conhecia o fenômeno da propagação retilínea da luz, no século 4 A.C., e que a partir deste conhecimento conseguiu estudar o fenômeno do eclipses, por exemplo, ao fixar os diferentes estágios do fenômeno a partir de projeções em um câmara escura.  Outras histórias dizem que a referida câmara já era conhecida pelo chinês Mo Tzu na China no século 5 A.C.

De qualquer maneira, o que temos com estas informações, ainda que imprecisas, é uma ideia aproximada da idade da fotografia. Ainda que a fotografia seja resultado da associação de um complexo conjunto de descobertas, é o antigo dispositivo escuro que dá corpo e condições para que este processo e meio tenha persistido no tempo e tenha chegado até a contemporaneidade. Dos primórdios analógicos à atualidade digital, é sempre ela, a câmara escura, a origem e o fim de tudo. A fotografia segue sendo a apreensão da luz em uma caixa escura, nada mudou. E o fenômeno é simples: a luz atravessa um orifício e projeta uma imagem invertida porque os raios são projetados em linha reta.

A câmara escura, que cumpriu tantas funções sociais – auxilio a matemática. À física, a arte em geral – tão misteriosa aos leigos durante muito tempo, hoje é campo desbravado: em um clique na internet, por exemplo, podemos encontrar tratados científicos, manuais de como fazer, indicações de recursos precisos para o controle da qualidade das imagens por ela captadas. Mas ainda assim, mesmo desvelada segue sendo mágica, sedutora e lúdica.

Dentro do conjunto de atividades do Festival Photofluxus, planejou-se a instalação de uma câmara no balneário cassino, mas não uma câmara escura e sim uma câmara clara: uma câmara que permite ao espectador ser mais que um espectador, que proporciona ao espectador desvendar o fenômeno do dispositivos e com ele integrar-se.

Sejam bem vindos ao mundo de Mo Tzu, Aristóteles, Louis-Jacque-Mandé Daguerre, de Joseph Nicéphore Niépce N, de William Henry Fox Talbot e de tantos outros, e disfrutem!

Professora da Universidade Federal do Rio Grande

Julho de 2012

 

BREVE CURRÍCULO

Professora, pesquisadora e praticante da arte. Doutora em Arte e Investigación pela Universidad de Castilla La-Mancha, Cuenca / Espanha (2004-2007), tiitulo revalidado pela UFRGS como Doutora em Artes Visuais na àrea de História, Teoría e Crítica da Arte Contemporânea, Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre / RS (1999); Especialista em Arte Educação Habilitação Artes Plásticas, Universidade Federal de Pelotas, UFPEL; Pelotas / RS; Graduada em Educação Artística / Licenciatura Curta – Artes Plásticas pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande / RS (1986) e em Educação Artística / Licenciatura Plena pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande / RS (1989). Professora na Universidade Federal do Rio Grande /Instituto de Letras e Artes / Curso de Artes, Rio Grande / RS desde 1993, nas áreas de Fotografia, Arte Contemporânea e Metodologia da Pesquisa em Artes no Curso de Artes Visuais Licenciatura e Bacharelado e no Curso de Especialização em Artes Visuais da Furg. Orienta e desenvolve pesquisas em Poéticas Visuais e História, Teoria e Crítica, nas áreas da Fotografia, Arte Contemporânea e Audio visual. Coordena o projeto de pesquisa ‘História de vidas vividas. Uma pesquisa compartilhada sobre a cultura portuguêsa da Ilha dos Marinheiros’/PIBIC, o Projeto Qualificação Audiovisual do Curso de Artes Visuais/CAPES e do Projeto memoria in vitro/PIBIC. É membro do Grupo de Pesquisa em Artes Visuais do CNPQ e do Núcleo de Estudos sobre Arte (NEA) do Instituto de Letras e Artes, da FURG. Atua nos grupos de pesquisa: Linguagem, Cultura e Educação – FURG, Pesquisas em Artes Visuais – FURG e PHOTOGRAPHEIN – Núcleo de Pesquisa em Fotografia e Educação – UFPEL.

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