Exposição Uma foto na Tamandaré

A exposição “Uma foto na Tamandaré“, com pesquisa e curadoria de Célia Pereira, teve abertura no Coreto da Praça Tamandaré, no dia 27 de novembro.

Na ocasião, ocorreu também a ação “Chá das cinco”, com Carolini Lionardi.

https://www.facebook.com/events/1656581984618242/

Cartaz expo Tamandaré Photofluxo 2015(1)

Confira o texto curatorial:

UMA FOTO NA TAMANDARÉ

Essa coletânea é resultado de uma convocatória lançada no facebook no mês de abril de 2015, sendo uma das ações empreendidas em Arqueologia Comunitária, no Programa de Salvamento Arqueológico na Praça Tamandaré: cotidiano e excluídos na modernidade riograndina.  A proposta era de que ao fazer postagem de fotografia, junto constasse um breve relato sobre a mesma.

Um dos fotógrafos que atuou na Praça Tamandaré foi o Senhor Ataliba Joaquim da Cruz. De descendência portuguesa e natural de São Lourenço do Sul. Morava no Rio Grande desde moço, na Rua Conde de Porto Alegre, à meia quadra da Praça Tamandaré. Trabalhou como marítimo – tinha iates de transporte de cargas entre Porto Alegre e Rio Grande. Começou o seu
trabalho de lambe-lambe, “bem depois de aposentado, foi quando ficou viúvo”, afirma sua neta Hildara Niewinski. Carlos Rodrigues, outro neto, nos diz que seu avô “foi para Tamandaré fazer fotografia. Nas décadas de 60 e 70 (20 anos) ele se dedicou as fotos lambe-lambe”.

A denominação lambe-lambe tem várias versões, mas a mais citada está ligada ao método da ferrotipia, pois exigia que a chapa de ferro fosse lambida para que a imagem aparecesse, e, com a chapa de vidro isso não era necessário. A presença dos fotógrafos lambe-lambe em espaços públicos, como praças, jardins e feiras teve um papel importante na popularização da fotografia. O modelo tipo caixote registravam as pessoas que iam a passeio por esses locais, tanto individuais, como em grupos. Algumas pesquisas apontam a fabricação dessa máquina no Brasil, no início do século XX, pelas mãos do italiano e fabricante de acessórios fotográficos residente em São Paulo, Francisco Bernardi, cuja família foi responsável pela fabricação até 1937. É cada vez mais rara a presença nas ruas de cidades brasileiras, desse profissional, que levou a fotografia para fora dos estúdios fechados e com falsos cenários de natureza – razão
esta por aparecer também à denominação de fotógrafos de jardim.

Célia Pereira – curadora

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Fonte:
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GRANGEIRO, Cândido Domingues. As Artes de um negócio: a febre photographica. São Paulo: 1862-1886. São Paulo: Mercado das Letras, 2000.

PEREIRA, Célia Maria. Remexendo gavetas e construindo narrativas a partir de retratos fotográficos de família. Artigo. Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural. Universidade Federal de Pelotas, UFPel. 2013

http://elciomello.wordpress.com/2010/09/02/fotografo-lambe-lambe-o-resgate-de-uma-tecnica/               (Acesso em 15 de setembro de 2013).

 

Documentação Fotográfica: Célia Pereira

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